segunda-feira, 9 de março de 2009

Há Filmes e Filmes


Eram duas e meia da tarde quando peguei o ônibus que me despejaria em Hollywood. Pessoas alvoroçadas se entremeavam entre o alambrado que dividia o mundo das “estrelas” e o universo dos simples mortais. Eu me deixei tomar por toda aquela energia fantasmagórica e incandescente, aos poucos e em montes se aproximavam as “Limusines” que por sua vez, cada qual guardava em si a esperança de uma multidão.


O primeiro a aparecer foi “Valentino”, que num falso ato de cortesia abriu uma pequena fresta de seu vidro dando Brioches a quem pedia pães. Gentilmente “Antony Hopkins” desceu de seu modesto carro em frente à multidão e caminhou sem medo de ser feliz, se mostrando um “Outsider” do “Red Carpet”. Prosseguindo, como numa adega de vinhos selecionados foram passando um por um dos rótulos mais conhecidos do mundo do cinema, foi então que como dizia Maísa: “Meu mundo caiu”.


Me vi devorado por mim mesmo, quando logo depois, quase imediatamente regurgitado. E fiquei flutuando no vômito de meus próprios desejos. Tudo era artificial, tudo era proposto, composto e desgosto. O cinema meus caros leitores, não é a arte do entretenimento, não é a arte das pessoas bonitas, esticadas e bem comidas. O cinema é arte, portanto é “inrrotulável”.


Podia ronronar horas explanando os motivos de “Slumdog Millionare” (Quem quer ser um Milionário) ser o pior filme de todos os tempos, mas a desgraça passou, e agora companheiros da academia, levantar a cabeça e bola pra frente. O Oscar foi tão pequeno, tão pequeno que quase desapareceu, o que não seria lá uma coisa tão ruim não é?


O ano que passou me pareceu um tanto quanto infértil para a produção cinematográfica mundial. Os roteiristas que exigiam reconhecimento (o que já era em tempo) paralisaram a indústria no primeiro semestre e por ironia foram paralisados por ela no segundo. A crise chacoalhou até a galinha de ovos de ouro. Assim os filmes foram sendo empurrados com a barriga, produções paralisadas, edições capengando. E eu me via num beco sem saída. E agora? O que eu vou fazer no cinema? Comer pipoca?


Mas para o bem de minhas “sinapses” o que parecia impossível (nem tanto), talvez improvável sucedeu. “The reader” ou “O Leitor” veio certeiro contradizer meus pensamentos ora já contraditos, e provar que o dinheiro a mesquinharia e a burocracia das grandes indústrias não impedem o florescer de obras primas.


A beleza do filme é indescritível, o roteiro incabível enquanto “Kate Winslet” prova que a vida pessoal, as benfeitorias ou até mesmo uma carinha bonita, passam longe dos atributos de uma grande atriz, o único adjetivo capaz de esboçá-la é “profissional”, qualquer outro certamente diminuiria sua grandeza. Pois ela dá um banho e se mostra acima de Oscar e Oscars.


Quanto ao filme? É um suspiro, certamente um dos melhores filmados nos últimos cinco anos. É um misto de prazer e loucura que me deixou em transe naquela desconfortável poltrona daquele agradável cinema. Não é todo dia que se é possível ver um clássico que indiscutivelmente entrará para a história na telona. Por isso caros leitores corram aos cinemas e saboreiem o que há de melhor na sétima arte. E preparem-se para nunca se esquecerem de um mito chamado “Kate” a “Winslet”.


OBS (para os obedecidos): Uma das cenas do filme eu classificaria, e sem medo, como uma das cenas mais delicadas da história do cinema, pois põe em “xeque” valores morais e desenterra Freud e de “lambuja” Nietzsche. Estarei feliz em receber sua opinião...


Oxum de Jesus

5 comentários:

  1. Cinema mundo da ilusão, que na maioria das vezes depende de outros que não são os autores, roteiristas, atores, diretores. Dependem de financiamentos que em época de crise tornam-se pobres, com isso é preciso utilizar o que se tem nas mãos.
    Bem o seu post me fez ter vontade de o filme de Kate.

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  2. Não vi ainda o filme.
    Mas parece ser muito bom mesmo.
    As vezes eu tenho medo que ele seja "cabeçudo" demais como o tal de As Horas (chaaaaaaato) rs.

    Mas, vamos ver.

    abraços.

    se quiser, apareça:
    http://martonolympio.blogspot.com

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  3. Oxum de Jesus foi ótima. rsrs Realmente o Oscar está perdendo espaço, e vou ver esse filme para saber se é tão bom quanto você diz. rs Ah! O meu blog se fala de games e não de filmes. Eu só falo de filmes baseados em jogos. rs Acho que nossos blogs estão ligados no que tange o audiovisual. E concordo com você, filmes baseados em jogos são em sua maioria ruim, a única quase exceção foi Silent Hill.

    Valeu!

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  4. Adorei as colocações, quero muito ver este filme, vc realmente com sua escrita me causou esta enorme vontade de vê-lo agora mesmo!!!

    Sabe uma coisa que notei tb, é que este ano não se falou tanto do Oscar, procurei em alguns canais para ver se passaria novamente, mas nada, é este mundo da academia de $$ esta acabando!!

    Obrigado pela visita ao nosso Blog, estarei sempre aqui te visitando!!

    Forte abraço

    Ps: vou para o post abaixo que muito me agradou!! Grunge e Alice in Chains, lá vou eu...

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  5. Querido amigo avassalador...
    Legal sua critica ao ano cinematografico... concordo de ponta as virgulas...Gosto muito da Kate porque ela sobreviveu ao Titanic!
    venha nos visitar tb.
    http://avassaladorasrio.blogspot.com

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