
Em tempos de excomunhão temos sim de medirmos nossas palavras, não quero ter o sagrado direito de pisar em terras papais suprimido, tenho este sonho desde a minha incrédula infância patética. Quem me dera uma missa na praça de são Pedro. Quem me dera contemplar os afrescos de Michelangelo.
A verdade é outra caros leitores: “São tempos de pomba-gira”. Nunca o sexo esteve tão dentro da casa das Marias das Joanas e dos Joaquins. Nunca o poder da democracia esteve tão próximo das virilhas, para o alívio dos filhos e a insanidade dos pais. Nos transformamos na sociedade do tira e põe. A colocação das genitálias e a abdução dos fetos. Quantos Picassos, quantos Caetanos, quantos Jim Morrisons hão de ser abortados? E quem também há de dizer que não deveriam?
Mas fácil q discutir o assunto é discutir a imprensa que busca de uma forma inocentada defender o ato e prejulgar a posição clerical, vestindo o manto da hipocrisia democrática. A igreja é uma instituição e tem o direito e o dever de punir os seus membros independentemente de discussões éticas. E enfim, qual seria o real valor de ser ou não ser excomungado? Acredito eu que é de menor importância para o que adorna o caso.
Ninguém está disposto a refletir quanto à exposição social desta criança. Não é o aborto, não são os gêmeos assassinados por uma sociedade e muito menos o que o papa deixa ou não de ordenar, mas sim que uma criança de nove anos, que fora muitas vezes violentada pelo padrasto e ainda teve o fardo de tomar a decisão ou até mesmo acatar uma alheia de carregar ou não duas novas criaturas que certamente viriam ao mundo não para ter regalias papais, mas para serem frutos da violência.
A ética está mais que escassa, a audiência cria Eloás, Isabelas e maísas (a louca). São pontos a mais no IBOPE. É a corrida pelo grotesco pelo nauseante triunfo da vitória monetária. A Xuxa há muito tempo perdeu seu trono e vem cambaleando com um programinha bobo e sem graça. As crianças querem sangue.
A inocuidade é tremenda, aqui no Norte ou mesmo aí no sul. Não temos mais recheio, estamos flutuando no vácuo da perplexidade. O preconceito é a ferida mais aberta da atualidade, pois acima de tudo ele é velado. Experimentar deveria ser a grande virtude humana. Quem um dia não ouviu aquela frase de mãe “como você diz que não gosta se nunca experimentou?”. Deveríamos ter um self-service social, com baixelas (léxico Mara!) oferecendo-nos de tudo o que é cotidiano e absurdo. Try again!
E é nessa onda de eufemismos globais que nós os “Carnacatômicos” abrimos as porteiras da democracia. Vamos soltar aqui todas as bruxas sociais que tendem a amedrontar o nosso dia a dia. Viva a macumba, o terço e o evangelho. Viva o negro, o fogoió e o albino. Viva o alpino, o chokito o Ferrero Roche a Gretchen a Roseana Sarney a dona da Daslú. Viva São Paulo, Roraima, Pato Branco e Pilares de minas. A nossa vestimenta não será o descumprimento da moralidade mais a ausência da moral. Não temos ligações políticas e nem pensamentos científicos. Somos incessantes, mutantes, e excitantes viajantes. A lei é o grilhão do favelado e as asas aos parlamentares. Fora Lula! Fora Xuxa e Maísa. A vida é curta para nos preocuparmos com a vaidade humana. Amanhã morreremos com a certeza de termos feito o melhor. Se possível o Impossível.
Oxum de Jesus

Nenhum comentário:
Postar um comentário